Blumenau (+17 cidades) a Criciúma - SC

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Nossa rota pelas cidades em Santa Catarina foi inspirada em grande parte no roteiro sugerido pelo O Guia deTrilhas Serra Geral (Blugrama), de Guilherme Cavallari. Incluímos no roteiro original uma passagem em Timbó, Serra do Rio do Rastro, Lauro Müller e Criciúma para então retornarmos a São Paulo. A cicloviagem foi realizada no mês de Dezembro e, prevendo um grande número de turistas devido às festas de fim de ano, fizemos diferente das viagens anteriores, ou seja, reservamos as hospedagens antecipadamente. Esta precaução inicial pode ter tido algum efeito na cidade turística de Urubici, onde encontramos um maior número de pessoas hospedadas, mas em todas as outras cidades fomos os únicos hóspedes na casa. Fizesse sol ou chuva, as reservas antecipadas obrigaram-nos a seguir o roteiro previsto para chegar às pousadas conforme o plano inicial. Ao final da cicloviagem de Blumenau a Criciúma, contabilizamos aproximadamente 600 km percorridos em 13 dias de pedal, sob muito sol, calor, chuva e neblina, experiências e paisagens incríveis, como também encontros e reencontros e, obviamente, um monte de histórias na bagagem para contar em nosso retorno à cidade.

Dia 1 – São Paulo a Blumenau

Removemos a roda dianteira e afixamo-na junto ao quadro para embalar as bicicletas de forma compacta com plástico preto. Nesta viagem a Viação Catarinense cobrou-nos excesso de bagagem por conta do grande número de itens transportados pelos passageiros nesta época do ano, tais como aparelhos de televisão, ou mesmo colchões para dormir, todos brigando por um espaço no restrito bagageiro do ônibus-leito.

Dia 2 – Blumenau


Prédio da Prefeitura, Blumenau
Para nossa surpresa, fomos recepcionados pelo guia local Hendrik Fendel (vide Biker-Chave no guia) na rodoviária de Blumenau. E, para começar o pedal com chave de ouro, tomamos um café da manhã caprichadíssimo no Café Colonial no Hotel Glória. Hendrik tinha sido nosso instrutor no curso de GPS na Editora Kalapalo em São Paulo (para saber mais, visite http://www.kalapalo.com.br) e coletamos mais algumas informações acerca do roteiro que planejamos. Com a barriga cheia de suco de acerola, fizemos um city tour, pedalando pelos principais pontos de Blumenau. No final do dia, vencidos pela noite mal dormida no ônibus e os 42 km de pedal pelas ruas em Blumenau, atravessamos a ponte de ferro para chegar à outra margem do Rio Itajaí, no Bairro de Ponta Aguda, onde fica o Hotel Steinhausen. Como estávamos a pé, não encontramos opções para jantar nas imediações do hotel, então retornamos pela ponte de ferro e achamos uma pizzaria. Nosso muito obrigado ao Hendrik e sua família por toda a atenção que recebemos!


Dia 3 – Blumenau a Pomerode (36 km)

Igreja Luterana, Pomerode
Saímos às 7h20 para pedalar, mas a subida da trilha de carroça no bairro de Tatutiba ao meio-dia foi inevitável. Com sol de aproximadamente 40 graus, a subida tornou-se extenuante, mesmo empurrando a bike. A vontade de beber era constante e antes que a água das caramanholas acabasse de vez, seguimos devagar nosso caminho o morro acima. Uma parada em uma casa aparentemente abandonada foi providencial para refrescar na bica do lago. Entramos em Pomerode pela rua Dr. Wunderwald, com suas belas casas, e paramos no Restaurante Glatz&Filhos para almoçar. Uma visita à Confeitaria Torten Paradies, a alguns metros da Pousada Max, garantiu uma doce janta e reposição de calorias.

Dia 4 – Pomerode a Timbó e Rodeio (42 km)

Igreja Matriz,  Rodeio
Neste ponto nos desviamos parcialmente da rota sugerida pelo guia e seguimos pelo acostamento da rodovia até Timbó para visitar nossos amigos Edda e Heraldo, que se mudaram para a cidade há aproximadamente 10 anos sem nenhuma sombra de arrependimento. Aguardamos o sol baixar e, no final de tarde, seguimos em direção a Rodeio, um trecho gostoso de pedalar e plano como uma ciclovia. Em Rodeio fica o Restaurante Vale das Trutas, apontado pelo Guia Quatro Rodas como um dos melhores restaurantes especializados em trutas. Os pratos são saboreados em sequência em um ambiente simples e aconchegante, mas recomenda-se fazer reserva antecipada. Hospedagem no Cama e Café Stolf da D. Irene.

Dia 5 – Rodeio a Ascurra, Apiúna e Ibirama (50 km)

Como os dias estavam muito quentes, procuramos sair cedo da pousada para aproveitar e pedalar no frescor da manhã. Fizemos o trecho para Apiúna*, mas vale ressaltar que este trecho é opcional. Quem quiser seguir diretamente para Ibirama, basta pegar a estrada à direita na igreja da Comunidade Guaricanas 1 (vide ponto 6,97 km no guia). A Serra do Sellin que viria a seguir é pedalável e, no caminho, fizemos uma rápida parada para fotos na Vinícola Mondini, na casa com o jacaré de estimação “Jacó” (animal de aproximadamente 2 metros) e na fábrica artesanal para carregarmos nossos alforjes o peso de mais dois potes de figo em calda, hmmm! Ficamos com vontade de almoçar no restaurante orgânico (vide indicação 22,78 km no guia), mas é preciso encomendar o almoço antecipadamente. Com fome e um pouco decepcionados por não termos pensado em fazer uma reserva antes, seguimos para o Hotel Soralete.

*OBS: Há um erro no desenho da rotatória no ponto 5,30 km do guia. O desenho da rotatória orienta  pegar o caminho para a direita, mas siga em frente para encontrar o próximo ponto, a  Rua 7 de Setembro.

Dia 6 -  Ibirama a Lontras, Rio do Sul e Aurora (58 km)

Ciclovia em Lontras
Por se tratar de um declive, os 5 km de pedal na BR-470 descritos no guia foram feitos com rapidez, mas todo cuidado é pouco, pois há tráfego de carros e caminhões em altas velocidades. A subida a partir da Vila da Subida assusta inicialmente, mas a Serra de Riachuelo mostrou-se pedalável. Em Rio do Sul presenciamos uma cena hostil nas ruas envolvendo motorista e pedestre, mostrando que os problemas no trânsito são típicos de cidades urbanas e movimentadas em todos os estados. Hospedagem no Aurora Park Hotel, que fica na rodovia SC-302 ao lado de um posto de combustível. A pousada é muito arrumada e apreciamos a conversa com a D. Janete.

Dia 7 – Aurora a Ituporanga e Petrolândia (51 km)

Hotel Fachini, Petrolândia
De Aurora a Ituporanga são somente 15,43 km. Chegamos em horário de almoço e fizemos uma parada no restaurante por quilo, “onde  se come muito e se paga pouco”, segundo o caixa. Descansamos na praça em frente à igreja matriz, observando as obras de reconstrução da ponte pênsil, que tinha sido destruída pelas últimas enchentes que ocorreram ali. Segundo um morador da região, o Prefeito da cidade quase tinha perdido a vida nas correntezas ao tentar resgatar uma pessoa. A praça, toda decorada para o Natal, foi palco de conversas com passantes curiosos até o sol baixar e então seguirmos para a bicicletaria do Enéas, onde trocamos os pneus de uma das bicicletas, que teimavam em amanhecer ambos murchos. A decisão se mostrou inteligente, pois a partir daquele momento não tivemos mais problemas com furos nos pneus. De Ituporanga a Petrolândia pedalamos mais 32,49 km. O Hotel Fachini é ministrado pela simpática D. Vendelina. Simpatizante de cavalgadas em trilha pela região mostrou interesse em folhear e ler nosso guia de trilhas para descobrir novos caminhos. “Esse guia serve para minhas saídas a cavalo também”, comentou. O hotel, única opção de hospedagem na cidade, fica em cima da rodoviária e, conforme a descrição do guia, “as acomodações são simples e surpreendemente limpas e simpáticas”. Os quartos são separados por biombos, mas não precisamos nos preocupar em fazer barulho, pois éramos os únicos hóspedes na casa naquele dia.

Dia 8 – Petrolândia a Rio Rufino (51 km)

Rio Rufino, Hotel Lurian aos fundos
Dia de pedal de muitas subidas e descidas. A subida da Serra Geral estava repleta de neblina e acabamos passando por lá sem registrar a pedreira por completo. A rota é longa, passando por áreas de reflorestamento de araucárias e pequenas propriedades rurais no final. Devido à chuva do dia anterior, pegamos vários trechos com lama e as bicicletas ficaram imundas. Ao pedalar em solo seco, a lama se desprendia dos pneus, espirrando para todos os lados. Hospedagem no Hotel Lurian com ótimo café da manhã e com vista ao monumento do milho da varanda.  A pequena cidade estava entretida com a festa de formatura que iria acontecer à noite, portanto a lanchonete já não servia comida quente à noite. Comemos um lanche enorme então.

Dia 9 – Rio Rufino a Urubici (Bairro Santa Terezinha) (44 km)

Entrada da Pousada Beckhauser
O caminho apresentou trechos com sombras agradáveis das árvores, margeando o Rio Canoas. Fizemos uma parada para conhecer o Sítio Arroio da Serra e ficamos conversando muito tempo com o Sr. Dimo. Seguimos a sua dica e paramos no Paradouro Santo Antônio para um delicioso almoço com carnes na grelha. Ao lado de nossa mesa estavam  Helga, Flávio e seu pai, em viagem de Florianópolis, que ficaram interessados em nossas bikes e sobre nossas aventuras no sul. Hospedagem na Pousada Beckhauser do S. Evaldo e D. Irma, que faz parte da Associação Acolhida da Colônia. A família é muito atenciosa com seus hóspedes e o café da manhã é sensacional, com muitas frutas colhidas na própria horta, uma variedade de pães, queijos, geléias e mel de Bracatinga. Simplesmente bom demais!

Dia 10 – Urubici (Bairro Santa Terezinha) e Morro da Igreja (40 km)

Pedra Furada, Morro da Igreja
Saindo da Pousada Beckhauser, sem antes se esbanjar com o café da manhã, levamos 3 horas para subir o morro da igreja (são 17 km de subida ininterruptos com uma bica d’água para refrescar no caminho) e 1 hora de descida. Ponto de parada obrigatória para tirar fotos, a vista do topo para a Pedra Furada é linda e ao fundo avista-se o Parque Nacional São Joaquim. Na descida (sensacional!), paramos para ver a Cachoeira Véu de Noiva (R$ 2,00 de entrada) que estava com pouca água naquele dia. Já de volta à pousada, improvisamos uma “ceia de Natal” com lata de ervilhas, salsicha, molho de tomate, batata e uma salada de tomate e cebola. De sobremesa, figos em calda que compramos em Ibirama, humm...  De noite assistimos a participação da família Beckhauser no coral da missa de Natal.

Dia 11 – Urubici (Bairro Santa Terezinha), Serra do Corvo Branco e centro de Urubici (27,5 km)

Serra do Corvo Branco
Da Pousada Beckhauser até a entrada para a estrada da Serra do Corvo Branco são 17,5 km. Fomos somente até o mirante para admirar a fenda e a vista para a Serra do Corvo Branco com suas curvas sinuosas. Seguimos para o Hotel Arcanjo Rafael da Sra. Adriana no centro de Urubici pra descansar, pois o pedal do dia seguinte exigiria muito esforço.

Dia 12 – Urubici ao Parque São Joaquim e Bom Jardim da Serra

Parque Nacional São Joaquim
Dia de subida na serra, fizemos uma parada para avistar as inscrições rupestres e o mirante com vista panorâmica para a cidade de Urubici. Outra subida forte na entrada do Parque Nacional São Joaquim. O calor intenso foi logo amenizado por nuvens carregadas, um vento tão forte que parecia empurrar a bicicleta e uma pancada de chuva. O terreno no parque é terreno irregular e com muitas pedras soltas do parque, exigindo esforço para pedalar. A vegetação é típica de campos de altitude e há muitas casas com taipas (cercas de pedra). Felizmente chegamos ainda com o dia claro à Pousada Santa Vitória.

Dia 13 – Bom Jardim da Serra à Serra do Rio do Rastro e Bairro Guatá (35 km)

Serra do Rio do Rastro
A partir deste momento fizemos um roteiro completamente diferente do guia, seguindo para Lauro Müller. O dia estava chuvoso e nos deparamos com neblina forte em nosso pedal pela rodovia. Não aconselhamos este caminho, pois a rodovia não possui acostamento. Felizmente os motoristas abriram espaço e pudemos pedalar sem problemas. Descemos a Serra do Rio do Rastro por 15 km sem conseguir apreciar a bela paisagem escondida por detrás da chuva e neblina. Hospedagem na Pousada Coan em Guatá, a 5 km de Lauro Müller.

Dia 14 – Guatá a Lauro Müller e Criciúma

Rodovia inacabada para Treviso
Em nosso último dia de pedal, a chuva nos acompanhou por todo o caminho por Treviso, Siderópolis até Criciúma. Chegamos na rodoviária às 13h30 em tempo para desmontar as bicicletas, empacotá-las em saco plástico e trocar a roupa molhada. O ônibus das 16h00 chegou somente às 18h00 e às 8h00 do dia seguinte chegamos à Rodoviária do Tietê em São Paulo. Em breve voltaremos ao Sul para fazer a rota do Vale Europeu ou mesmo finalizar os trechos do guia que não pedalamos. 

Fotos da Cicloviagem
Blumenau - Criciúma

Biblioteca de impressos para consulta
Pousada Arroio da Serra
Cartões de Visita (diversos)
Ibirama
Cartão de Natal
Petrolândia
Parque Nacional São Joaquim
Rodeio
Urubici
Restaurante Vale  das Trutas

Nossa rota pelas cidades em Santa Catarina foi inspirada em grande parte no roteiro sugerido pelo O Guia deTrilhas Serra Geral (Blugra...

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