Campos do Jordão (+9 cidades) a Maria da Fé - MG

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CICLOMANTIQUEIRA
 Campos do Jordão, São Bento do Sapucaí, Brazópolis, Piranguinho, Itajubá, Delfim Moreira, Marmelópolis, Passa Quatro, Itanhandú, Virgínia, Maria da Fé


Viagem realizada por Adilson Carvalho de 26 a 31 outubro 2014

CRONOGRAMA
Dia 01 - CAMPOS DO JORDÃO - SÃO BENTO DO SAPUCAÍ - 60 km (inclui o deslocamento de minha residência até a Rodoviária do Tietê em SP)
Dia 02 - SÃO BENTO DO SAPUCAÍ - BRAZÓPOLIS - 41 km
Dia 03 - BRAZÓPOLIS - PIRANGUINHO - ITAJUBÁ - DELFIM MOREIRA - 63 km
Dia 04 - DELFIM MOREIRA - MARMELÓPOLIS - PASSA QUATRO - 54 km
Dia 05 - PASSA QUATRO - ITANHANDÚ - VIRGÍNIA - 46 km
Dia 06 - VIRGÍNIA - MARIA DA FÉ - ITAJUBÁ - 90 km (inclui o deslocamento da Rodoviária do Tietê em SP até minha residência)

TOTAL PEDALADOS: 354 km

INTRODUÇÃO

     Esta cicloviagem de seis dias foi inspirada no "Guia de Trilhas - Ciclomantiqueira" de Guilherme Cavallari.

     Eu precisava sair de férias e deixar a loucura da capital paulista, nem que fosse por uma semana. Mas onde pedalar? A princípio, pensei em juntar a cicloviagem 4 com a cicloviagem 5 do "Guia de Trilhas enCICLOpédia", do mesmo autor, mas eis que... me lembrei do Ciclomantiqueira, o único dos guias que ainda não possuía.

Igreja de São Benedito no
Bairro Capivari em
Campos do Jordão
  Adquirido o Guia em uma loja de São Paulo, concluí por fazer uma cicloviagem de Campos do Jordão a São Bento do Sapucaí (utilizando o dia 1 da Cicloviagem 4) e, a partir daquela cidade, seguir o Ciclomantiqueira até a cidade de Itanhandú e voltar a Itajubá.
    Antes de mais nada, chamo a atenção para ter sempre um odômetro aferido na bike. Como, dessa vez, faria todo o trajeto sozinho, resolvi comprar um odômetro e instalá-lo na bike para maior segurança, uma vez que só utilizo o GPS nas viagens e a Claudia, minha companheira de pedais, o odômetro.
     Comprado nos dias próximo à data de saída, ele ficou calibrado para "aro 26", mas não com a circunferência correta do meu pneu.
     Para aferir um odômetro, o mais correto é fazer uma marca na banda de rodagem do pneu com um giz, dar uma volta completa da roda e verificar com uma fita métrica, a distância, em milímetros, percorrida no deslocamento. Essa medida será inserida no odômetro. E eu não fiz isso!
     Notei que, na viagem, a quilometragem sempre diferia da planilha, para maior, e logo me ocorreu o por quê. Praticamente a cada 5 km percorridos eram acrescentados 200m. Para corrigir essa distorção, eu tinha que tirar o odômetro e percorrer 200m para então recolocá-lo no suporte.

CAMPOS DO JORDÃO - SÃO BENTO DO SAPUCAÍ (Dia 01 - Dom, 26 out 2014)

     Logo após votar nesse dia de eleição, pedalei ao Terminal Rodoviário do Tietê (São Paulo) para embarcar no ônibus da viação Pássaro Marrom, ao meio dia, em direção a Campo do Jordão, chegando ao meu destino às 15:15h.
Vista para a Pedra do Baú
     Desembalei a bike e, em 15 minutos, já estava pedalando em direção à Igreja de São Benedito no Bairro de Capivari, a 2,80 km de distância da rodoviária da cidade.
     Sabia que chegaria em São Bento do Sapucaí com os últimos raios de sol, uma vez que o trajeto seria praticamente em declive. (Chegada a S. Bento Sapucaí - 18:00h).
     A Pousada Casa Branca (R$ 40,00 a pernoite com café) se mostrou providencial pela localização (Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 253), pois fica na mesma avenida do término do pedal (100 m antes).
     Com um supermercado à sua frente e um o restaurante (Sabor da Serra, no nº 128), que serve janta, eu não poderia estar melhor instalado.
     Pena que o proprietário manifestou vontade de fechar a pousada em um futuro próximo, por estar cuidando dela praticamente sozinho e não dispor de tempo para mais nada.
     Saí da pousada para jantar, sob chuva, que continuou por toda a noite. Eu temia que, se a chuva não parasse, ter dificuldade para subir a Serra da Bocaina com o piso escorregadio.

SÃO BENTO DO SAPUCAÍ - BRAZÓPOLIS (Dia 02  Seg, 27 out 2014)

     Para minha surpresa, o dia amanheceu claro, com um agradável frescor matutino. Me abasteci no mercadinho às 7:00h da manhã, juntamente com o proprietário da pousada, que aguardava para comprar o pão para o café da manhã.
Igreja Matriz de Brazópolis
     Às 7:37h já estava na Praça Mons. Pedro do V. Monteiro, saindo em direção à cidade de Brazópolis para enfrentar a serra mais desgastante de todo o trajeto, a Serra da Bocaina.
     A subida até o Bairro da Bocaina realmente é "pedalável", mas é preciso estar muito bem treinado para fazê-lo.
     Em um morro intermediário, senti que meu coração estava muito acelerado e o suor escorria em cântaros. Os meus seis quilos de bagagem e dois litros de água me fizeram descer e empurrar a bike por uns 200 m. Quando a inclinação ficou mais amena, voltei a pedalar.
     Para minha sorte, algumas nuvens encobriam o sol, impedindo que a temperatura agravasse ainda mais o desgaste físico.
     A descida para o Bairro de Cantagalo é uma delícia, pode-se empregar boa velocidade, com segurança. O chão de terra não tem pedras soltas ou valetas profundas que possam desequilibrar a bike.
     Aqui faço apenas uma observação: há uma diferença de quilometragem da planilha do dia 2 da Cicloviagem 4 (ponto 17,27) para o Ciclomantiqueira (ponto 16,75). Esta diferença é de praticamente 500m na chegada a Cantagalo. Utilize a quilometragem menor do Ciclomantiqueira, que está mais atualizado.
     Cheguei em Brazópolis por volta das 11:30h, com tempo de folga suficiente para almoçar, conhecer a cidade e descansar para a jornada do dia seguinte.
     Nessa cidade, opte pela indicação do autor do Ciclomantiqueira (Hotel Montanhas e Vida). A segunda opção, o Hotel Visotto (Hotel do Tonhão), indicado nos "comentários e atualizações" do Guia, pode ser mais em conta (R$ 30,00 - sem café da manhã), mas se mostrou impraticável.
     Dormi muito mal, com pernilongos me importunando, o sino da Igreja Matriz tocando a cada 15 minutos, dia e noite, e as inúmeras maitacas estridentes ao entardecer também contribuíram para uma noite em claro.
     O Hotel Montanhas e Vida fica a +/- 1 km da praça, o que reduz muito o barulho e provavelmente a quantidade de pernilongos também.

BRAZÓPOLIS - PIRANGUINHO - ITAJUBÁ - DELFIM MOREIRA (Dia 03 - Ter, 28 out 2014)

     Levantei cedo para aproveitar a manhã de pedal, tomando um rápido café na padaria. Às 6:30h da manhã eu já saía da Praça da Igreja Matriz em direção aos "Pés de Moleque de Piranguinho".
Antiga estação ferroviária
de Delfim Moreira
     No km 14,27 fiz a conversão para a esquerda, conforme a Planilha e, após alguns metros, descobri que a rua terminava ali mesmo. A conversão nesse ponto deve ser feita para a DIREITA, para sair na rua principal que dá acesso à rotatória.
     Obs: cheguei tão cedo na cidade que as barracas de doces ainda estavam fechadas. Eu imaginava que todas as barracas estivessem concentradas em um único lugar, como em uma praça central. Na verdade, elas estão espalhadas por diversos pontos.
     O trajeto até Itajubá foi rápido e as indicações foram fáceis de seguir.
     No trajeto de Itajubá a Delfim Moreira eu entendi o significado de "grandes recortes do terreno". Durante o trajeto na antiga estrada de ferro (há mais de 60 anos que o trem parou de circular por aquelas bandas, conforme relatos de um morador local), eu pedalava por quilômetros numa "quase" reta e voltava a fazer os mesmos tantos km, numa elevação maior, em sentido inverso, como pode ser visto em uma das fotos e no delineamento do GPS.
     Ao retornar de Itajubá para SP de ônibus, pude visualizar, pela janela do coletivo, parte do trajeto que fiz de bike, uma vez que a MG 178 segue paralela à estrada de terra.
     Um restaurante providencial, ao lado da Igreja Matriz de Delfim Moreira, ainda servia refeição às 13:00h, quando cheguei na cidade. A Pousada Solar da Mantiqueira (custa R$ 90,00 c/ café, mas ganhei um desconto por ser dia de semana, assim paguei R$ 70,00), que fica no quarteirão seguinte, era tudo o que eu queria depois de 57 km de pedal.

DELFIM MOREIRA - MARMELÓPOLIS - PASSA QUATRO (Dia 04 - qua, 29 out 2014)

     Tomei o café da manhã na Pousada às 7:30h e eu já estava ao lado da Igreja Matriz para o início da jornada.
Estação ferroviária de Passa Quatro
(Trem da Serra -  Maria Fumaça)
     A estrada, que liga as duas cidades, está toda pavimentada, ora asfalto, ora calçamento.
     Cheguei ao topo da Serra após uma hora e meia de subida ininterrupta (engate a marcha "devagar e sempre" e seja paciente), no ponto 9,87 e, a partir daí, a recompensa vem em forma de uma descida suave de 11 km até a cidade de Marmelópolis (30 min), onde pude apreciar a iguaria local.
     Obs: o trajeto, mesmo sendo por rodovia (MG-350) sem acostamento, naquela hora da manhã, tinha pouquíssimo trânsito de veículos. Os que me ultrapassavam, o faziam a uma distância considerável.
     Na próxima etapa, de Marmelópolis a Passa Quatro, é possível subir a Serra pedalando, com relativo esforço. A preocupação advém na descida de Serra Fina (entre os pontos 19.96 e 30.19), onde o chão é coberto por enormes pedras, muitas delas soltas, e valetas que parecem disputar o espaço no solo.
     A bike não pôde ganhar velocidade em nenhum momento, com risco de uma surpresa desagradável e consequências indesejáveis.
     As minhas costas, os braços e o esforço do acionamento constante do freio foram sentidos muito além do término da descida.
     Já na entrada da cidade, a alguns quarteirões antes da Igreja Matriz, observei uma pequena porta com placa "restaurante": o almoço estava garantido!
     Completei o pedal até a escadaria da Igreja e retornei para um gostoso PF "prato raso", o que já era muita comida para uma pessoa.
     Explico: na região você não encontra a variedade de comida como em outros lugares. Tudo é Prato Feito (PF) há apenas a opção por "prato raso" (pouca comida) ou "prato fundo" (muito mais comida).
     O Hotel e Pousada São Rafael realmente é um "point" de ciclistas (R$ 100,00 durante a semana e R$ 110,00 nos finais de semana). Acostumados com a visita de Paulo de Tarso, do Sampa Bikers, e ciclistas que fazem a Estrada Real, o hotel disponibiliza suportes para bike nos fundos para guardar as companheiras com segurança.

PASSA QUATRO - ITANHANDÚ - VIRGÍNIA (Dia 05 - qui, 30 out 2014)

     Aqui dei uma "cortada" no trajeto sugerido pelo Guia ao término no segundo anel do Ciclomantiqueira e não me dirigi a Itamonte.
Igreja Matriz de Virgínia
     Em Itanhandu, no km 11,68, em vez de fazer a conversão à direita, optei pela esquerda, em direção à Igreja Matriz, fazendo a ligação com o km 14,98 do trajeto "Itamonte - Virgínia", que me levaria à cidade de Virgínia, com praticamente 47 km pedalados em detrimento dos 68,70 no trajeto original.
     Quando cheguei em Itanhandú, às 8:45h, resolvi completar a quilometragem que faltava no odômetro para os 14,98 km da planilha seguinte, dando uma volta pelas ruas próximas, assim passaria de uma para outra sem qualquer problema.
     Neste momento aconteceu um daqueles encontros inusitados: um "rapaz", que expunha algumas miniaturas de bicicletas feitas de ferro soldado com máquina elétrica, me perguntou se eu estava fazendo a estrada real. E pronto: conheci o Pavão do Pedal, o ciclista Paulo Francisco Pavão, que segundo seus relatos, já percorreu quase 22 estados brasileiros de bike.
     Conversamos durante 45 minutos e não deu para não levar uma de suas bikes artesanais para casa.
     Eu ainda tinha que percorrer mais 30 km propostos para o dia e enfrentar a Serra do Palmital que, apesar do esforço, se mostrou amena em relação à Serra para Brazópolis.
     Fiquei feliz quando ela terminou no km 34,50 e pude descer um belo "downhill" até a cidade de Virgínia.
     É necessário ter um pouco de cuidado na descida: encontrei dois senhores conduzindo seu cavalo carregado de capim no meio da estrada. Reduzi a velocidade em respeito aos moradores e para não assustar o animal.
     Cheguei às 12:30h em Virgínia.  A minha opção de hospedagem não se mostrou muito "acolhedora". O restaurante e Pousada Boa Sorte (R$ 25,00 - sem café da manhã), disponibilizou um quarto, cuja porta só abria pela metade devido à cama no outro lado. O jeito foi espremer a bike e fazê-la passar pelo vão.
     Somente uma janela basculante fazia algum ar circular pelo cômodo.

VIRGÍNIA - MARIA DA FÉ - ITAJUBÁ (Dia 06 - sex, 31 out 2014)

     Às 6:00h da manhã eu já estava com tudo pronto e me dirigi à padaria para o café matinal.
     No dia anterior eu tinha despachado algumas coisas que não seriam mais necessárias pelo correio, juntamente com a minha miniatura de Caloi 10. Desta forma eu reduzi em 1,4 quilos o peso que eu carregava e, com apenas um litro de água (normalmente carrego uma garrafa de 1,5 litros), percorri as duas serras que separam as cidades de Virgínia e Maria da Fé com mais facilidade.
Estação Ferroviária de Itajubá
     No km 22,11, após a conversão à esquerda e + 10 m há um supermercado, assim o reabastecimento de água e paçoca estavam garantidos. O Bar estava fechado quando passei às 8:45h.
     A Serra que viria a seguir, apesar de extensa, é pedalável em sua totalidade. Lá pelo km 25,50 não pude deixar de parar para tirar algumas fotos, descansar um pouco e apreciar a vista.
     Às 11:10h eu estava na cidade de Maria da Fé, pronto para um "prato raso" no restaurante que fica no quarteirão seguinte à Locomotiva.
     Como o dia estava quente, resolvi descansar algumas horas na Praça Getúlio Vargas atrás da Estação Ferroviária e degustar um sorvete na lanchonete do outro lado da rua (você não encontrará placa informando que ela dispõe de sorvete de massa e açaí).
     Com a energia revigorada, parti de Maria de Fé em direção a Itajubá às13:00h.
     Com o relevo a meu favor e a estrada em boas condições, eu já me encontrava na rodoviária de Itajubá às 14:40h para comprar a passagem de ônibus da Pássaro Marrom para retornar a São Paulo às 16:00h. E eu ainda tinha tempo para passar no Mercado Municipal de Itajubá (que fica a apenas 5 min de bike da rodoviária), para levar queijo e doces mineiros para casa.
     Cheguei em SP às 20:15h, desembalei a bike. Não é possível sair para a rua direto do desembarque pedalando, então tive que pegar o elevador que fica próximo ao ponto de táxi, empurrar a bike no piso superior e descer para a Rua Cruzeiro do Sul.
     Agora não há mais estradinhas de terra quase sem movimento de veículos - e sim trânsito intenso de sexta-feira! Eu me sentia como o ciclista no filme "RIDE LIKE HELL".

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